A Questão da Política em Ellen Gould White!

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  1. Ellen Gould White Apoiou a Política e Orientou Que Se Participasse Dela.

A interpretação de que Ellen Gould White estava completamente alijada do assunto “política” é uma das bobagens mais comumente manifestas por aqueles que, antes de falar não possuem o estudo amplo sobre o assunto a que se permitem opinar, porém, sem ter a visão mínima.[1]

No Livro “Testemunhos Para a Igreja, Volume 1” exatamente nas páginas 533-534 temos esta impressionante manifestação de uma Ellen G. White metendo-se em questões de política de modo direto e objetivo; eis o relato dela mesma:

“Muitos guardadores do sábado não são justos diante de Deus em seus pontos de vista políticos. Não estão em harmonia com a Palavra de Deus, ou em união com o corpo de crentes observadores do sábado. Suas perspectivas não estão de acordo com os princípios de nossa fé. Luz suficiente foi dada para corrigir a todos os que desejam ser corrigidos. Todos os que ainda mantêm sentimentos políticos que não estão em harmonia com o espírito da verdade, vivem na violação dos princípios do Céu. Enquanto assim permanecerem, não podem possuir o espírito de liberdade e santidade.

Seus princípios e posições em assuntos políticos são um tremendo impedimento a seu progresso espiritual. Esses lhes são uma armadilha e uma censura à fé. Os que conservam esses princípios serão levados justamente onde o inimigo terá prazer em aprisioná-los, onde serão por fim separados dos cristãos guardadores do sábado. Esses irmãos não podem receber a aprovação de Deus enquanto lhes faltar simpatia para com os oprimidos negros, e estiverem em discrepância com os puros princípios republicanos de nosso Governo. Deus não nutre maior simpatia com a rebelião na Terra do que fez com a revolta no Céu, quando o grande rebelde questionou os fundamentos do Governo Divino, e foi lançado fora com todos os que simpatizavam com ele em sua rebelião.”— (Testemunhos Para a Igreja, Vol. 1, 533-534).

Apenas pessoas muito infantilizadas por uma “fé romântica” ou por “analfabetismo funcional” mesmo não sabem nada sobre a maturidade destas considerações. Mas quatro pontos se evidenciam cuidadosamente aqui:

(1º) A teoria de que Ellen G. White era alienada das questões políticas é simplesmente jogada fora nesta declaração e que ela se manifesta especificamente sobre a questão “racial” nos EUA e igualmente declara-se totalmente com o que denomina: “puros princípios republicanos de nosso Governo”;

(2º) Ela afirma de modo claríssimo que a falta de um devido alinhamento com o Regime Republicano em “princípios” (teoria) e “posições” (práticas) afeta a vida espiritual da pessoa dentro da Igreja Adventista do Sétimo Dia;

(3º) Ela faz referência de modo objetivo ao fato de que ser contra o Regime Republicano é comparável a ser um satanista e que Deus em pessoa se põe contra os que assim procedem da mesma forma que Ele se opôs à rebelião de Satanás no Céu;

(4º) Naturalmente que se espera que quem lê isto entenda que no Regime Republicano o povo da Nação tem que ir às urnas e votar para Presidente, Governador e Prefeito e, que tem que votar para Vereador, Deputado e Senador.

Poderia haver situação mais importante do que aconselhar jovens acerca de como pode ser o futuro deles?

No Livro “Mensagens aos Jovens”, exatamente na página 36 – num texto que foi recortado de outro livro intitulado “Fundamentos da Educação Cristã”, página 82, ela declara:

“Querida mocidade, qual é o alvo e propósito de sua vida? Tem você a ambição de educar-se para poder ter nome e posição no Mundo? Tem pensamentos que não ousa exprimir, de poder um dia alcançar as alturas da grandeza intelectual; de poder assentar-se em conselhos deliberativos e legislativos, cooperando na elaboração de leis para a Nação? Nada há de errado nessas aspirações. Cada um de vocês pode estabelecer um alvo. Vocês não devem se contentar com realizações mesquinhas. Estabeleçam alvos elevados, e não poupem esforços para alcançá-los.” — (Fundamentos da Educação Cristã, 82 / Mensagens aos Jovens, 36).

Ora, precisamos ser mais claros do que isto? Considerando que algumas pessoas não entenderão nada do que está escrito, farei o que me compete como professor, esclarecerei:

(5º) Ela acaba de dizer aos jovens adventistas de toda a Terra que lerem estas palavras que devem ter “a ambição de educar-se para poder ter nome e posição no Mundo” e que ter estes pensamentos que “não ousam exprimir”, naturalmente por causa da pressão social de fanáticos religiosos que interpretam tudo erroneamente, diz ela: “não poupem esforços para alcançá-los”;

(6º) Ela acaba de deixar bem claro que “poder assentar-vos em conselhos deliberativos e LEGISLATIVOS, cooperando na elaboração de leis da Nação”, não é, de forma alguma um erro e, para quem não presta atenção, ela se refere obviamente, por questões de coerência e obviedade social em que estava inserida, “aos puros princípios republicanos de nosso Governo” (Testemunhos Para Igreja, Vol. 1, 533-534 – já citado);

(7º) A expressão “nada há de errado nessas aspirações” é questão pacificada para mim sobre a matéria em pauta. Ela encerra o assunto com esta frase e considerando o conjunto criado entre este texto e o anterior que aqui temos indicado, não precisamos aprofundar muito sobre a obviedade de que o próprio regime interno da Igreja Adventista do Sétimo Dia que organiza e fundamenta as coisas através do “voto e de decisões plenárias” é, decididamente um modelo republicano e não teocrático ou fascista de administração eclesiástica;

(8º) Diante desta claríssima manifestação aqui explicitada, podemos entender como correta a participação dos Adventistas do Sétimo Dia, jovens, inclusive, em questões de política, inclusive chegando já com três pautas primárias dadas por Ellen G. White: (a) a questão racial, (b) a questão da defesa do modelo republicano que é chamado de ‘puro’ e (c) a questão da criação de leis para a Nação e isto abrange todo tipo de leis é claro.

  1. Ellen Gould White Condenou a Participação na Política.

Postada a coerência das reflexões e orientações que vimos até aqui, eis que estupefato encontro uma severa condenação à política e, sobretudo, à participação de membros da Igreja nela. O título do capítulo é “Testemunho Especial Acerca da Política” e, está curiosamente no mesmo Livro onde se mandou participar dela e que “nada há de errado nessas aspirações”.

“Aqueles a cujo cargo se acham nossas instituições e escolas, devem acautelar-se diligentemente, não seja que, por suas palavras e sentimentos, levem os alunos por caminhos falsos. Os que ensinam a Bíblia em nossas igrejas e escolas, não se acham na liberdade de se unir aos que manifestam seus preconceitos a favor ou contra homens e medidas políticos, pois assim fazendo, incitam o espírito dos outros, levando cada um a defender suas ideias favoritas. Existem, entre os que professam crer na verdade presente, alguns que serão assim incitados a exprimir seus sentimentos e suas preferências políticas, de maneira que se introduzirá na igreja a divisão. O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloquência. Cristo convida Seus seguidores a chegarem à unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus. Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. … Os mestres, na igreja ou na escola, que se distinguem por seu zelo na política, devem ser destituídos sem demora de seu trabalho e suas responsabilidades; pois o Senhor não cooperará com eles. O dízimo não deve ser empregado para pagar ninguém para discursar sobre questões políticas. Todo mestre, ministro ou dirigente em nossas fileiras, que é agitado pelo desejo de ventilar suas opiniões sobre questões políticas, deve-se converter pela crença na verdade, ou renunciar à sua obra. Sua influência deve ser a de um coobreiro de Deus no conquistar almas para Cristo, ou devem ser-lhe cassadas as credenciais. Se ele não muda, há de ser nocivo, apenas nocivo. É um engano de vossa parte o ligar vossos interesses com qualquer partido político, dar o vosso voto com eles ou por eles. Os que ocupam o lugar de educadores, de ministros, de colaboradores de Deus em qualquer sentido, não têm batalhas a travar no mundo político. Sua cidadania se acha nos Céus.Lembrai-vos de que reinos, nações, monarcas, estadistas, conselheiros e grandes exércitos terrestres, e toda a magnificência e glória mundanas, são como o pó da balança. Deus tem a fazer um ajuste de contas com todas as nações. Todo reino tem que ser abatido. A autoridade humana deve tornar-se como nada. Cristo é o Rei do mundo, e Seu reino deve ser exaltado.” (Fundamentos da Educação Cristã, 475-477).

Não há como não declarar o óbvio: um espanto!

Li e reli este capítulo diversas vezes, procurando uma justificativa plausível para uma contradição tão expressa e não há nestes textos qualquer possibilidade de encontrar a resposta coerente.

Quatro aspectos me parecem centrais:

(1º) O caminho da política é o caminho falso e ela afirma que “o Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas” – diz que “silêncio é eloquência”;

(2º) Depois argui, de modo ridiculamente infantil, que “não podemos votar por partidos políticos, pois não sabemos em quem votamos” e vai mais longe ainda e diz de modo absurdo que “não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político”;

(3º) De modo arbitrário, injusto com o que ela mesma determinou no próprio texto de Fundamentos da Educação Cristã replicado em Mensagens aos Jovens, ela sai literalmente amaldiçoando: “todo mestre, ministro e dirigente”, “deve se converter ou renunciar à sua obra”, “cassadas as credenciais”, “se não muda é nocivo, apenas nocivo”, “é um engano dar o voto com eles ou por eles”, “não há batalhas no mundo político” – e, estupefato, diante de tamanha loucura ideológica e fanatismo, fico me perguntando como homem negro: e a causa de se defender o direito dos negros como ela mesma apoiou? E a pureza do regime republicano? E o conselho “para não poupar esforços para chegar a estar em Casas Legislativas criando Leis”?

(4º) Por fim, neste capítulo absurdo, comete-se um erro primário em termos de definição sobre a importância dos “reinos, nações, monarcas, estadistas, conselheiros e grandes exércitos terrestres” e, este erro pode ser facilmente definido usando as Escrituras Sagradas:

– 1ª Pedro 2:17 – “Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei.”

– Êxodo 22:28– “Não blasfemem contra Deus nem amaldiçoem uma autoridade do seu povo. ”

  1. Minha Posição Pessoal Sobre o Problema de Ellen Gould White em relação à Política.

Sou um convicto amante dos textos e entendimentos de Ellen Gould White sobre medicina natural. Isto é pronunciado em meu trabalho e ministério desde o ano de 1997 e, até mesmo antes, quando fui adventista do sétimo dia entre os anos de 1983-1997. E por esta declaração deve ficar claro-claríssimo que não sou, de modo algum um adventista do sétimo dia. Sou membro da Congregação da Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil e Exterior (OMEBE), consagrado Pastor e tenho meu próprio Ministério.

Por esta razão, não estou constrangido em tratar deste assunto aqui porque sou absolutamente livre, profissional, técnico e bem-intencionado em manifestar-me e, ademais, qualquer juízo de valor que se fizer, que seja feito sobre os textos que acabo de apresentar e que se manifeste um raciocínio melhor orquestrado do que o meu para explicar a completa incoerência de Ellen Gould White no assunto relativo à política. A primeira exposição dela foi excelente e harmoniosa com a Bíblia, a segunda é um desastre.

Mas, antes de verificar isto cuidadosamente, quero que fique bem claro que para mim Ellen Gould White (a) não é profetisa, (b) não é minha referência em matéria de ética espiritual e muito menos no campo sociopolítico, (c) não considero seus escritos base de confissão regular de fé e nem de ministério e (d) respeito tudo que ela escreveu como a manifestação humana de alguém que dentro de limitações e circunstâncias culturais e denominacionais procurou fazer o melhor que pôde – mas, não passa disto em minha vida pessoal.

Então, lemos nas Escrituras Bíblicas o seguinte sobre nosso dever político diante de Deus e dos homens:

  • Princípio da Autoridade Divina:
    • Provérbios 8:15-16 – “Por meu intermédio os reis governam, e as autoridades exercem a justiça; também por meu intermédio governam os nobres, todos os juízes da terra.”
    • Salmos 33:12 – ”Como é feliz a nação que tem o Senhor como Deus, o povo que ele escolheu para lhe pertencer!”
  • Princípio Republicano
    • Deuteronômio 1:13”Escolham homens sábios, criteriosos e experientes de cada uma de suas tribos, e eu os colocarei como chefes de vocês.”
    • Provérbios 29:2”Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme.”
  • Princípio da Escolha Correta
    • Provérbios 28:16 – ”O governante sem discernimento aumenta as opressões, mas os que odeiam o ganho desonesto prolongarão o seu governo.”
    • Provérbios 29:4”O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína.”
  • Princípio do Governo Para os Desvalidos e Pobres
    • Provérbios 31:8-9“Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados”.
  • Princípio do Respeito às Autoridades
    • Tito 3:1-2”Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às autoridades, sejam obedientes, estejam sempre prontos a fazer tudo o que é bom, não caluniem ninguém, sejam pacíficos, amáveis e mostrem sempre verdadeira mansidão para com todos os homens.”

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

(Constituição Federal Brasileira, 1988 – Artigo 1º, Parágrafo Único).

(1) Nenhum conselho, seja ele de quem quer que for, indo na direção contrária à estes princípios poderá encontrar em minha pessoa apoio; é questão de lógica primária e apenas alguém com um profundo senso de ignorância em matéria de realidade da vida poderia supor que cada cidadão, especialmente sendo cristão-bíblico, deve considerar a sua participação no debate sobre a vida de seus filhos e de sua própria família uma coisa nociva porque ela deve ser definida no cenário político.

(2) Isto é coisa de quem não consegue estar em uma mesa qualquer para dialogar sobre absolutamente nada sobre a realidade da vida; é ser um completo alienado e um bobão que servirá apenas de massa de manobra nas mãos dos que são espertos em controlar a vida humana pelo viés da política.

Qualquer um pode pegar um Dicionário e ver o fim do seu próprio analfabetismo lendo a definição para a palavra “política”:

“Ciência do governo dos povos. [Política] Direção de um Estado e determinação das formas de sua organização. Mecanismo de orientação administrativa de Estados. Conjunto dos negócios de Estado, maneira de conduzi-los.”

Em Romanos 13:1-2 está escrito:

“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se opondo contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos.”

Daí que pergunto a mim mesmo e aos que quiserem usar a inteligência:

  • Vamos deixar de usar nosso direito e responsabilidade de aplicar os princípios da governança diante de uma estrutura comandada por um Partido Político notoriamente envolvido em crimes, rombos de dinheiro público, caixa dois e toda sorte de desgraças sociais tais como defesa de pedofilia, defesa de narcotráfico, defesa de uso de drogas, defesa de não condenação de criminosos de colarinho branco — porque Ellen G. White disse que se eu for votar e for da Igreja eu me torno “nocivo, simplesmente nocivo”? É pra levar à sério este tipo de conselho?
  • Então, as escolas públicas onde nossas crianças estão estudando estão sendo comandadas por uma política pública de incentivo à homossexualidade e vamos simplesmente dizer “é assim mesmo”?

Estas poucas questões que acabo de levantar são um ponto crucial no entendimento do erro praticado por Ellen Gould White em seu texto de crítica e perseguição aos adventistas que se envolverem de modo correto, pelos motivos corretos, por conta de causas justas, no cenário da política.

É óbvio que ela e os que interpretam equivocadamente esta questão nada entendem da Bíblia Sagrada nestes assuntos e, se colocarem Ellen Gould White acima da Bíblia, naturalmente cometem um sacrilégio inominável perante o Deus Altíssimo. Vejamos o que está escrito:

  • Princípio de Votar em Alguém Capacitado. Provérbios 28:2 – ”Os pecados de uma nação fazem mudar sempre os seus governantes, mas a ordem se mantém com um líder sábio e sensato.”
  • Princípio de Não Votar em um Notório Ímpio e Inimigo da Fé em Deus. Provérbios 28:15 – ”Como um leão que ruge ou um urso feroz é o ímpio que governa um povo necessitado. ”
  • Princípio de Não Votar Num Sujeito Condenado. Provérbios 16:10 – ”Os lábios do rei falam com grande autoridade; sua boca não deve trair a justiça.”
  • Princípio de Não Votar em um Notório Apoiador de Pecados. Provérbios 14:34 – ”A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo.” (Observação, na falta de se saber o que é pecado, basta analisar estes versos:

1ª Coríntios 6:9-10 – “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.”

Veja-se também em Efésios 5:5; Apocalipse 22:15.

Então, as autoridades devidamente constituídas, os Tribunais, à luz de Romanos 13:1-2 condenam um bandido em mais de um processo, ele tem esta condenação em diversos Tribunais, mas o sujeito adventista vai simplesmente ignorar e não votar contra o bandido? E se a coisa ficar como está na Venezuela (2019) com o povo comendo cachorros e gatos das ruas e procurando alimento nos lixos das esquinas de suas casas?

É uma enorme irresponsabilidade dar azo a uma teoria estapafúrdia destas! E isto não anula outras mensagens que se podem verificar com evidências e biblicamente serem boas e justas. Ellen Gould White errou e errou feio nestas declarações contra a política e mandando perseguir mestres, ministros e dirigentes. Então, o pastor adventista tem que calar a boca diante da grave onda de gaysismo que assola o Mundo Ocidental? Vamos nos calar politicamente diante da questão da tentativa de se “oficializar o uso de entorpecentes”? Tudo isto passa pela política! É questão de leis e nestas horas que servos de Deus, preparados conforme ela havia dito em Mensagens aos Jovens, deveriam entrar em cena, não?

Então, a parte do conselho de Ellen Gould White em que ela amaldiçoa completamente as pessoas que se envolvem em política e são adventistas do sétimo dia, em que ela manda perseguir e cassar as credenciais de pastores, professores e dirigentes que se envolvem em política, e pior ainda, onde ela diz que as pessoas devem ficar isoladas da questão “numa espécie de maravilhoso mundo de faz-de-conta” – significa exatamente:

  • Que devemos abandonar o nosso dever político que ela chamou de “puros princípios republicanos” e que em Deuteronômio 1:13 combinado com Romanos 13:1-2 se confirma à luz da Constituição Federal Brasileira ou mesmo dos EUA?
  • Que devemos não votar, mesmo que um candidato venha ao público e diga que defenderá “Deus acima de tudo e a Nação acima de todos” e que seja um sujeito não dado ao alcoolismo, que exalte as Escrituras Sagradas e que defenda as liberdades individuais e, sobretudo religiosa —- mas, devemos nos omitir e ver um sujeito dado ao alcoolismo, ladrão condenado, apoiador de ditadores assassinos? É isto mesmo?

A própria determinação bíblica fundamenta que não devemos ser omissos nas questões políticas e devemos não só participar dentro dos princípios que enunciamos aqui, mas devemos orar pelas autoridades, naturalmente pedindo a Deus por questões objetivas, tais como quando Ellen White defendeu os negros e disse que os membros da Igreja que estavam contra as pessoas de cor negra estavam fora da fé adventista correta.

  • Cristãos devem votar com base em princípios da Palavra de Deus – Atos 5:29 – ”Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!”
  • Cristãos devem votar em espírito de pacifismo e dignidade – 1ª Timóteo 2:1-2 – ”Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.”
  • Cristãos devem votar e pagar impostos – Mateus 22:17-21 – “Dize-nos, pois: Qual é a tua opinião? É certo pagar imposto a César ou não?” Mas Jesus, percebendo a má intenção deles, perguntou: “Hipócritas! Por que vocês estão me pondo à prova? Mostrem-me a moeda usada para pagar o imposto”. Eles lhe mostraram um denário, e ele lhes perguntou: “De quem é esta imagem e esta inscrição?” “De César”, responderam eles. E ele lhes disse: “Então, deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.”
  • Cristãos devem sempre engrandecer Jesus em suas manifestações políticas – Mateus 28:18 – ”Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra.”
  • Cristãos sabem que a vida eterna não é neste Mundo carnal e mundano – Filipenses 3:20 – “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. ”

Porém, diante de todas as realidades que aqui enunciamos, os cristãos jamais se desviarão da clareza mental de que a sua participação como indivíduos, tem que ver com o impacto que ocorrerá no cenário geral de manifestações e, sua base para este entendimento está na Palavra de Deus e não em Ellen Gould White.

Salmos 94:20-23 – “Poderá um trono corrupto estar em aliança contigo? Um trono que faz injustiças em nome da lei? Eles planejam contra a vida dos justos e condenam os inocentes à morte. Mas o Senhor é a minha torre segura; o meu Deus é a rocha em que encontro refúgio. Deus fará cair sobre eles os seus crimes, e os destruirá por causa dos seus pecados; o Senhor, o nosso Deus, os destruirá! ”

Por não ser adventista, e já explicitei isto neste documento, não me imiscuirei em demandas internas desta Sociedade Religiosa. Para mim, como brasileiro, qualquer discriminação que for praticada contra minha liberdade religiosa e, sobretudo, liberdade política, é assunto de gravíssima violação de liberdades fundamentais, consagradas depois de duas guerras mundiais e assentadas como a base de uma mínima Civilização onde se possa, inclusive pregar o evangelho do Reino. Estas liberdades foram consagradas pelo viés da política que não é nociva, simplesmente é benção, porque atende, neste quadro, aos princípios bíblicos que expus neste documento.

“Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados.”

Edmund Burke (1729-1797, Irlandês), considerado o fundador do conservadorismo contemporâneo no cenário de um Estado Liberal.

Edmund Burke: filósofo conservador, teórico político irlandês, viveu entre 1729-1797, apoiador da Revolução Americana que permitiu o surgimento dos EUA, é considerado por muitos como o “fundador do conservadorismo moderno”, ao qual eu sou atrelado por princípios.

“Há quem defenda os seus erros como se estivesse a defender uma herança.” “Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso.”

“A imprensa é o quarto poder.”

“As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados.”

“Se controlarmos a nossa riqueza, seremos ricos e livres; se a nossa riqueza nos controlar, seremos na verdade pobres.” “A economia é uma virtude distributiva e consiste não em poupar mas em escolher.”

  1. Minha Conclusão Sobre Esta Questão.

Uma coisa é o sujeito ser equilibrado nas posições da vida, conectado com a Bíblia Sagrada que é a fonte de “fé e doutrina” e outra coisa é ser um fanático religioso que precisa defender o “mito-religioso” ainda que usando de toda sorte de artifícios e artimanhas.

Isto prova muito acerca do caráter do sujeito! Mas, é outra pauta!

Alguns defensores de uma “suposta infabilidade de Ellen G. White” usam alguns argumentos para justificar o seu erro, obviamente, pretendendo negar que tenha havido erro em sua posição em “proibir” e “perseguir” mestres, ministros e dirigentes que tenham uma posição política claramente definida.

Um destes argumentos é este aqui:

Não devemos, como um povo, envolver-nos em questões políticas. Todos fariam bem em dar ouvidos à Palavra de Deus: Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos em luta política, nem vos vinculeis a eles em suas ligações. Não há terreno seguro em que possam estar e trabalhar juntos. O fiel e o infiel não têm terreno neutro em que possam encontrar-se.

Aquele que transgride um dos preceitos dos mandamentos de Deus é transgressor de toda a lei. Mantende secreto o vosso voto. Não acheis ser vosso dever insistir com todo o mundo para fazer como fazeis. – (Carta 4, 1898. Mensagens Escolhidas vol 2 pág. 337).

Neste primeiro argumento, a justificativa é a de que os adventistas do sétimo dia são “um povo” diferente de todos os demais e, pelo argumento, a nacionalidade natural dos seus membros é confrontada. Ainda que se diga que “o voto deve estar em secreto”, o que não fica claro é esta coisa de “não devemos envolver-nos em questões políticas” – considerando que neste documento que aqui apresento, ela mesma fez declarações fortes sobre a questão racial e sobre a pureza do Regime Republicano.

Mais ainda, se uma pesquisa cuidadosa for feita, verificaremos que Ellen White se opôs sempre que pôde ao Comunismo/Socialismo, como se verifica claramente nesta passagem “bem política”:

Não é plano de Deus que a pobreza desapareça do Mundo. As classes sociais jamais deveriam ser igualadas; pois a diversidade de condições que caracteriza os seres humanos é um dos meios pelos quais Deus tem pretendido provar e desenvolver o caráter, muitos têm insistido com grande entusiasmo que todos os homens devem ter parte igual nas bênçãos temporais de Deus; mas este não era o propósito do Criador. Cristo afirmou que sempre teremos conosco os pobres (João 12:8). Os pobres, bem como os ricos, são comprados por Seu sangue; e, entre os Seus professos seguidores, na maioria dos casos, os primeiros O servem com singeleza de propósito, enquanto os últimos estão constantemente colocando as suas afeições nos tesouros terrenos e Cristo é esquecido. Os cuidados desta vida e a ambição das riquezas eclipsam a glória do Mundo eterno. Seria a maior desgraça que já sobreveio à Humanidade se todos devessem ser colocados em posição de igualdade em possessões terrenas. (Testemunhos Para a Igreja, Volume 4, p. 552).

Este texto é simplesmente extraordinário!

Ela consegue colocar quatro pontos bem nítidos:

  • Fala sobre “política” e “economia”, embora os analfabetos funcionais ou ignorantes não consigam entender nada do que acabo de dizer e ela expôs com certeza nestas áreas;
  • Não deixa qualquer dúvida sobre o que pensa do ideário Socialista/Comunista quando diz: “Seria a maior desgraça que já sobreveio à Humanidade se todos devessem ser colocados em posição de igualdade em possessões terrenas” – e, qualquer pesquisa investigativa sobre este tipo de modelo sociopolítico e socioeconômico desde 1840 (quando Marx começou esta loucura!) até hoje, em todos os lugares onde este modelo foi aplicado ele se tornou uma enorme “desgraça” mesmo;
  • A “luta de classes” é o coração da abordagem objetiva dos Comunistas/Socialistas. Para esta gente, o Mundo se divide em dois grupos que estão em permanente conflito. Para Ellen G. White tal ideia é assim definida com clareza: “Não é plano de Deus que a pobreza desapareça do Mundo. As classes sociais jamais deveriam ser igualadas” (citado).
  • Ela fundamenta em João 12:8 a lógica de suas considerações e qualquer sujeito bem intencionado, fazendo uma avaliação bíblica primária verificará que um dos 10 mandamentos é “não roubarás” que só pode ser garantido se valer o princípio da “propriedade privada” que, na abordagem dos Comunistas/Socialistas é o fundamento da luta das classes, porque os que são ricos (por conta do direito à propriedade), manipulam, escravizam e sufocam os pobres, mantendo-os oprimidos e sob controle material. Naturalmente, a explicação de Ellen Gould White garantiria a ela, em terras comunistas, no auge de Mao-Tsé e Stálin uma “boa bala, numa boa cova” (parafraseando certo dirigente[2] comunista brasileiro).

Apenas, gente muito ignorante e tola não entende esta citação dela e na mesma medida, gente muito idiotizada não percebe que ela errou! E sim, ela admite a possibilidade de errar:

Temos muitas lições a aprender, e muitas, muitas a desaprender. Unicamente Deus e o Céu são infalíveis. Os que pensam que nunca terão de desistir de um ponto de vista acariciado, nunca ter ocasião de mudar de opinião, serão decepcionados. Enquanto nos apegarmos às próprias ideias e opiniões com determinada persistência, não podemos ter a unidade pela qual Cristo orou. (Review and Herald, 26 de julho de 1892).

Com relação à infalibilidade, nunca a pretendi; unicamente Deus é infalível. Sua palavra é a verdade, e não há nEle mudança ou sombra de variação. (Carta 10, 1895).

Naturalmente que a posição da “denominação adventista” não é minha pauta e nem poderia ser haja vista que não tenho submissão à este Ministério; porém, neste texto, faço a análise objetiva de que “infabilidade não existe” em Ellen Gould White e ela, além de admitir como acabamos de verificar em suas próprias palavras, ainda acrescentamos a análise sobre a questão “política” em que há, obviamente, uma incoerência estrutural.

A justificativa de que ela se refere às condições de evangelização que não devem ser misturadas com a política das Nações, caberia se e se tão-somente se, isto ficar explícito como um conselho temperado, mas as palavras contra membros da Igreja que se envolvam com política criam esta disfunção trágica que deixa qualquer um “confuso e desnorteado”;

Pode se envolver com política! Deve ser disciplinado se for político!
Querida mocidade, qual é o alvo e propósito de sua vida? Tem você a ambição de educar-se para poder ter nome e posição no Mundo? Todo mestre, ministro ou dirigente em nossas fileiras, que é agitado pelo desejo de ventilar suas opiniões sobre questões políticas, deve-se converter pela crença na verdade, ou renunciar à sua obra.
Tem pensamentos que não ousa exprimir, de poder um dia alcançar as alturas da grandeza intelectual; de poder assentar-se em conselhos deliberativos e legislativos, cooperando na elaboração de leis para a Nação? Sua influência deve ser a de um coobreiro de Deus no conquistar almas para Cristo, ou devem ser-lhe cassadas as credenciais.
Nada há de errado nessas aspirações. Se ele não muda, há de ser nocivo, apenas nocivo. …
Cada um de vocês pode estabelecer um alvo. Vocês não devem se contentar com realizações mesquinhas. Estabeleçam alvos elevados, e não poupem esforços para alcançá-los. É um engano de vossa parte o ligar vossos interesses com qualquer partido político, dar o vosso voto com eles ou por eles. Os que ocupam o lugar de educadores, de ministros, de colaboradores de Deus em qualquer sentido, não têm batalhas a travar no mundo político.
— (Fundamentos da Educação Cristã, 82 / Mensagens aos Jovens, 36). — (Fundamentos da Educação Cristã, 475-477).

Encaminhando para um desfecho acerca da posição sobre política tenho quatro credos à este respeito, no que pertine às declarações de Ellen Gould White:

  • As declarações de Ellen G. White sob política são confusas e contraditórias em termos de orientação individual, porém, bem claras sob o ponto de vista denominacional, ou seja, a denominação é o critério de referência de controle sociopolítico consciencial dos seus membros e, se um membro tiver qualquer participação na liderança da Igreja e for eleito Vereador, Deputado, Senador, Governador ou Presidente – deve ser imediatamente desligado da Obra Adventista;
  • Entretanto, ela concita os jovens a estabelecerem como um alvo possível e digno a tarefa de serem óbvios Parlamentares nas Casas Legislativas, ou seja, serem Vereadores, Deputados ou Senadores e, declara que isto é uma coisa excelente para a carreira de quem faz esta escolha;
  • Eu fico com a Bíblia Sagrada e com o conselho dela que se harmoniza com a firme tarefa de que, além de sermos servos do Deus Altíssimo na qualidade de cristãos, devemos “andar como Cristo andou” (1ª João 2:6), conforme os dons que recebemos e se surgir a oportunidade de servirmos com inteireza de coração e de modo correto na função de Parlamentar ou Gestor Público, em qualquer esfera de possibilidade, de forma alguma somos errados e, mais ainda, sermos “disciplinados” ou “chamados de nocivos” é coisa grave e arrogante, errada e não tem valor algum enquanto sentença moral ou espiritual.
  • Um verdadeiro cristão, envolvido com a política, servirá a Cristo no ambiente dela e diante de todas as adversidades, jamais cederá lugar à corrupção, nem às tramoias com corruptos, não se afastará da prática da oração e da busca pela Palavra de Deus, defendendo os valores do Reino Espiritual em que estamos. Um crente fiel no ambiente da política deve refletir o seguinte: (Provérbios 29:2) ”Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme.”

Que Deus nos ilumine e guarde!

Prof. Pr. Jean Alves Cabral

http:pastorjean.com.br

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[1] A visão mínima sobre qualquer assunto deve ser obtida respondendo, sob qualquer assunto, as perguntas: (1) O que? (2) Por que? (3) Quem? (4) Onde? (5) Quando? (6) Quanto? (7) Para que? (8) Em que? (9) Onde? (10) Como? (11) Quais? (12) Qual o propósito do tema? — sem estas perguntas, o assunto, seja ele qual for, fica sempre mal feito e mal resolvido.

[2] Pode-se ver a declaração em https://www.youtube.com/watch?v=e1ShzY0Ygr8 e também em https://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/exclusivo-bolsonaro-protocola-representacao-contra-mauro-iasi/ consultado em 30/11/2019.

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