Você é Um Analfabeto Funcional?

Analfabetismo Funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples.

Tais pessoas, mesmo capacitadas a decodificar minimamente as letras, geralmente frases, textos curtos e os números, não desenvolvem habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas.

Segundo os dados oficiais de 2018, a situação é seríssima no Brasil:

  • 8% das pessoas são analfabetas completamente,
  • 22% têm compreensão rudimentar,
  • 34% têm compreensão elementar, e,
  • 25% têm compreensão intermediária dos textos.

Desta forma, não há exagero em observar que 89% de todas as pessoas do Brasil são incapazes de entender este texto que estou escrevendo e apenas 11% conseguem dominá-lo.

Quero observar como a coisa é uma verdadeira desgraça mesmo; estes dados que aqui estou expondo, foram coletados por mim neste link: https://www.todospelaeducacao.org.br/conteudo/inaf-3-em-cada-10-brasileiros-nao-conseguiriam-entender-este-texto, mas se você não for um analfabeto funcional e fizer a checagem do que estou apresentando, observará com cuidado que na fonte citada, a tabela principal está errada porque quem a escreveu não conseguiu sequer fazer as contas corretamente e atribuiu 12% aos que são proficientes quando, o correto para o cálculo fechar 100% na tabela exige que seja 11% o número de tais notáveis.

É uma calamidade absurda! Nem mesmo a pesquisa saiu correta!

Isto é tão complicado que esta “tabela” serve de critério para milhares de textos e raciocínios que virão depois que ela foi divulgada, alegando base de entendimento, porque esta “tabela” é uma premissa, isto é, um dado essencial para composição do argumento e, se ela está errada ou certa influencia tudo na sequência. Se uma verificação do que estou dizendo for feira num exemplo tal como a notabilíssima rede jornalística BBC-Londres (no Brasil) veremos o erro perpetrado: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46177957; nestes termos:

“O instituto classifica os níveis de alfabetismo em cinco faixas: analfabeto (8%) e rudimentar (22%) (que formam o grupo dos analfabetos funcionais); e elementar (34%), intermediário (25%) e proficiente (12%) (que ficam na classificação de alfabetizados).”

Basta fazer a conta: 8 + 22 + 34 + 25 + 12 = 101% / o que é um erro analfabético!

Mas, há empulhação em praticamente tudo que temos visto ser produzido nos últimos anos. Como pesquisador eu verifico isto o tempo todo!

Entre o conhecimento e o diploma, o brasileiro escolherá sempre “o diploma” e isto viabiliza um mercado interessantíssimo para os ‘tubarões’ da educação que estão sempre ávidos por dinheiro e lucros; e isto não é uma crítica ao lucro – sou um liberal econômico até à medula – mas, é um repto à qualidade.

Porém, em meu País, o pedaço de papel na parede é prova de proficiência e esta é a realidade que nos trouxe a uma pesquisa que, sendo concluída, nos indica uma tabela sobre analfabetismo que não pode ser normal e ter 100% no critério e sim 101% para justificar 1% a favor de um grupo que não existe desta forma: os proficientes!

Por outro lado, ninguém tem de provar que é apto para fazer o que já fez. Principalmente quando aquilo que fez é entusiasticamente aplaudido por quem sabe fazer outro tanto. Se o sujeito escreve os livros de Henry Miller ou pinta os quadros de Edward Hopper, não faz sentido exigir que mostre o diploma de Letras ou de Belas-Artes que o habilita a fazê-lo. Isto também é tão óbvio que só tem de ser explicado a pessoas de QI 12,5. Ninguém me pediu diploma para me convidar a falar no Instituto Brasileiro de Filosofia, ou na Maison des Sciences de l’Homme da Unesco, ou na Universidade Georgetown, ou na Atlas Foundation. Simplesmente viram o que eu tinha feito e acharam que eu podia fazer de novo. (https://olavodecarvalhofb.wordpress.com/tag/diploma-universitario/). (Post em 05/07/2015).

Um exemplo deste tipo de problema está numa proposta que explica com facilidade a condição do sujeito que é ou não analfabeto funcional. Basta pedir que se explique este pequenino texto:

Nunca imaginei que um dia teria de explicar a pessoas dotadas de diploma universitário que, se um código legal se refere a um objeto do mundo exterior, o sentido do código depende do conhecimento desse objeto, o qual não pode se deduzir do próprio texto do código. Mas no Brasil essa explicação se tornou não apenas muito necessária, mas até mesmo muito dificultosa.

A inexistência de alta literatura torna invisíveis e inacessíveis as relações entre língua e realidade.

No Brasil, toda e qualquer forma de “ensino superior” debilita a inteligência ao ponto de arruiná-la definitivamente. (https://olavodecarvalhofb.wordpress.com/tag/diploma-universitario/) (Post em 02/05/2015).

Analisemos por um breve instante:

  • O que o autor deste pensamento quer dizer com “se um código legal se refere a um objeto do mundo exterior, o sentido do código depende do conhecimento desse objeto, o qual não pode se deduzir do próprio texto do código”?
  • Note-se que o que causa enorme dificuldade em entender esta proposição são as palavras mesmo! O analfabeto funcional não faz a menor ideia do que significam: “código legal”, nem “objeto do mundo exterior”, nem “sentido do código”, muito menos “conhecimento desse objeto” e para matá-lo de depressão, fica voando com a expressão: “deduzir do próprio texto do código”.
  • Para ser ainda mais claro: 89% da população não sabe pra que serve um Dicionário, não tem qualquer noção sobre qualquer coisa que não seja imediatista e não dá à mínima para absolutamente nada sobre o que estou escrevendo aqui agora.
  • Na verdade, em minha estimativa, apenas um número aproximado de 1% de todos os que lerem o título deste artigo vão lê-lo até ao final. Pior ainda, deste 1%, a metade vai considerá-lo muito longo, porque ele tem cinco páginas de folhas A4.

Daí, pergunto-me: como é que poderei interagir com pessoas na área de religião? Como poderei discutir qualquer coisa sobre política? De que forma poderei ajuizar alguma coisa sobre ciências naturais que é minha área de confluência profissional e de onde tiro o sustento pra família? De que modo vou poder interagir com ‘amigos’ numa esfera que seja minimamente plausível para meu universo psíquico?

É óbvio que terei que fazer concessões e, sob afetação de “arrogante e metido”, ou de “esnobe e pedante”. Em um recorte de sua exposição na OAB-São Paulo em 2004, Olavo de Carvalho fala com maestria sobre esta questão ao dizer que:

Quer me ver ficar bravo? É chegar um sujeito pra você com diploma universitário, às vezes professor universitário; dá um palpite sobre um assunto que ele não entende absolutamente; e daí você sugere para ele dois ou três livros e diz: ‘olha, para você poder entender estes assuntos você precisa ler estes livros’; daí o sujeito protesta e diz: ‘você vem com pedantismo pra cima de mim’. Então, você acha que se informar sobre o assunto é pedantismo? Agora, me responda o seguinte: se você não interesse pelo assunto, suficiente para você ler alguns livros, por que eu devo ter interesse ao ponto de ouvir a opinião? Por que eu vou me interessar por assunto que não interessa àquele que está falando dele? É um absurdo total! (https://www.youtube.com/watch?v=QP5YoXA-HAk – O culto à ignorância no Brasil.)

Com acerto, na mesma palestra o nobre professor expõe que em ciências humanas e sociais, os livros, os documentos, os dados escritos e os artigos técnicos são o documento e sem eles não tem como lidar com absolutamente nada. E cita o exemplo do Tribunal, um Juiz não pode exercer juízo sem “os autos” que são exatamente um bocado de papéis que fundamentam o processo.

Mas, esta explicação que é rigorosamente óbvia, para 89% das pessoas da população, simplesmente não existe, não interessa, e há algumas saídas estratégicas que são usadas por tais analfabetos; vou identificar quatro que conheço:

1ª) O argumento do ignorante profundo – é o sujeito que diz assim: “não quero saber disto”, “política não me interessa porque os políticos são corruptos”, “não discuto religião”, “tenho mais o que fazer”. Este tipo é bizarro porque, nestes exemplos que citei, ele faz questão de assinar um atestado de que é um ignorante por escolha. Num português chulo: é um imbecil e idiotizado! E fica com raiva se alguém disser isto e suas justificativas são estas aí mesmo; porém, a verdade é que não reúne capacidade mental de lidar com os grandes temas da vida e para não se declarar “analfabeto funcional” posa de isento, quando, na realidade da vida está totalmente dominada por toda a Cultura que o cerca e o obriga a se posicionar com base na linguagem, na religião, na política e nos fatos da vida.

2ª) O argumento do sabichão pateta – Este é o babaca que sabe das coisas, mesmo sem nunca ter lido sequer uma brochura mínima sobre a pauta em análise. Ele surge quando você está apresentando algo e diz assim: “já ouviu falar disto ou daquilo?” / e ele para não posar de ignorante diz: “sim, sim; é claro!” / mas, a verdade é que não seria capaz de citar nem de longe qualquer autor ou artigo, livro ou documento sobre o assunto.

3ª) O argumento do mau-caráter – Este é o sujeito que é venal, criminoso, mal intencionado mesmo, um sujeito vagabundo na alma. Ele conhece o assunto apenas na perspectiva que interessa à sua análise distorcida para garantir sua posição social ou ganhos particulares. Este sujeito está disposto a fazer qualquer coisa para proteger seu ambiente material e não dá à mínima para coisas do tipo: respeito, lealdade, verdade e compromisso. Ele acha quem faz isto um otário. É fácil conhecê-lo. Ele surge quando você diz: “Lula e o PT afundaram o Brasil e merecem ir para a cadeia pelos seus crimes e ele sai com um sorrisinho de canto de boca e diz: ‘Bolsonaro não é o salvador da Pátria?’” – vejamos, a frase fala de Lula, PT e seus crimes, mas ele desvia para Bolsonaro. Por que faz isto? Porque nunca vai se permitir um confronto direto sobre o tema porque as provas são esmagadoras sobre Lula e o PT, porém, dizer isto num ambiente de trabalho que é Socialista/Comunista pode significar perdas e danos. É por isto que o sujeito pode ser facilmente identificado como mau-caráter. Aliás, ele é hipócrita por essência mesmo.

4ª) O argumento do tecnicista cartesiano – Por último, eu identifico o sujeito que até leu todas as coisas que pode ou teve acesso, tem interesse pelo assunto, porém, é um analfabeto funcional porque entende O QUE está escrito, mas não o DE QUÊ o escrito fala. Para ele só existe signo e significado, não o referente, que ele confunde com o significado. Ops! Signo? Significado? Referente? — agora danou-se! Ele não tem qualquer noção disto e não percebe absolutamente a obrigação de que as coisas sejam entendidas sempre, em qualquer que seja o assunto por quatro pilares essenciais: identidade do objeto, coerência do argumento, cronologia da exposição e aplicabilidade na realidade. Para tal figura estes componentes não são viáveis, porque ele nem sabe que existem. Ele se posiciona como “Maria vai com as outras” e se define como “técnico” que tem “diploma” e esta “afetação de autoridade de papel” é tudo que tem.

O correto seria, em tese, que as pessoas tivessem um compromisso sério consigo mesmas em busca da verdade, mas a verdade só pode aparecer quando somos leais com nossa própria vida, ora isto não ocorre sem que o princípio do respeito próprio esteja fixado como a mais elevada de todas as regras da vida!

Para não deixar ninguém sem percepção sobre o que pode fazer para deixar de ser um analfabeto funcional (ou coisa pior!) sugiro alguns livros excelentes que poderão mudar a sua História Pessoal em termos de construção da vida intelectual. Eles estão organizados em ordem de profundidade:

 

Prof. Jean Alves Cabral

http://pastorjean.com.br

http://professorjean.com

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